Foi já há um ano que vi esta curta-metragem no cinema "O Outro Lado do Arco-Íris", de Gonçalo Galvão Teles e, hoje vi-a de novo... Soube-me bem!
«O bem dos livros é que eles podem ser aquilo que nós quisermos.
- Se juntares as sete cores vais ter tudo.
Vai até ao fim do arco-íris e lá é que tens o pote de ouro.
- Sabes-me dizer onde é que fica o fim do arco-íris?
- É fácil, é só seguires as sete cores...
- Até onde?
- Até onde elas te levarem!»
Carica, deseja uma bicicleta como presente de Natal. Mas a sua família não pode concretizar o seu sonho. Entretanto, o avô conta-lhe a história do pote de ouro no fim do arco-íris. No primeiro dia em que faz chuva e Sol, o rapazinho parte para uma grande aventura.
O Outro Lado do Arco-Íris é uma história em que a realidade se confunde com o sonho. Imaginado por uma criança, sobre uma criança, e para ser visto por crianças. Ou pela alma de criança dos adultos.O Outro Lado do Arco-Íris é também uma história de aprendizagem, de quem parte em busca do sonho e descobre a realidade, e de todos aqueles que quiserem ver no filme coisas simples da vida, a que só damos valor quando sentimos falta delas.
Esta curta-metragem transmite uma história de tradição oral com a mesma pureza e simplicidade com que nos foi transmitida a nós, integrando para sempre o imaginário de fantasia que nos faz sonhar.
Carica tem apenas sete anos e quer uma bicicleta de presente de Natal. Mas a sua família não tem dinheiro e oferece-lhe um livro. O avô conta-lhe a história do pote de ouro no fim do arco-íris. No primeiro dia em que faz chuva e sol, Carica lança-se à aventura.
O SONHO
Uma criança de sete anos joga à carica num terreno em frente a uma pobre casa alentejana. O jogo deste rapaz, de nome Carica, é interrompido pela mãe, que o chama para o jantar de Natal. Sentada à mesa está toda a família à espera, sobretudo o pai que impacientemente mostra o seu desagrado. Quem não se importa nada com a espera é o avô, sempre enternecido com as atitudes do neto Carica.Depois de comer o jantar o mais depressa que pode, Carica tenta juntar toda a família à volta da árvore para a distribuição dos presentes. Mas o entusiasmo do momento desaparece rapidamente quando descobre que em vez do dinheiro que esperava para poder comprar uma bicicleta, recebe apenas um livro de contos infantis, igual ao de tantos Natais. Indignado por não ter recebido o presente que esperava, Carica prefere esperar por uma prenda da fada boa, ao que o pai reage com uma frase feita sobre fantasias. Amuado, Carica foge para a queijeira anexa à casa. Preocupado, o avô vai atrás dele. Não conseguindo esconder as lágrimas, Carica explica ao avô que a sua grande ambição é ter dinheiro para comprar todos os brinquedos do mundo. O avô, sentado na sua cadeira de palha com um só braço, chama Carica para o seu colo, entoa a cantilena do costume e conta-lhe a história do pote de ouro no fim do arco-íris. Fascinado, Carica sonha com tudo o que poderia comprar se conseguisse deitar a mão a tanta riqueza. No primeiro dia de aulas após o Natal, Carica refugia-se atrás do seu livro, lendo repetidamente a história do arco-íris. A chuva que caía pára e um enorme arco-íris desenha-se no céu. Carica decide-se a partir em direcção ao pote de ouro. Só parará quando lá chegar.
A BUSCA
Sem tirar os olhos do arco-íris, Carica atravessa alegremente a planície alentejana, cantando uma versão sua da “Branca de Neve e os Sete Anões”. À medida que o seu objectivo parece ir-se afastando, Carica vai perdendo o ânimo e parando de passo em passo para perguntar onde fica o fim do arco-íris. Uns gozam com ele, outros dão-lhe pistas enigmáticas, mas ninguém tem a solução. Ao aproximar-se de Lisboa, Carica tem a sensação de que as sete cores caem no meio de uns prédios altos. Ganhando novo fôlego, Carica corre com mais força do que nunca na sua direcção.Cai a noite e Carica caminha agora pela parte pobre da cidade, perdido e assustado com o que se passa à sua volta. Morto de fome, tenta roubar um pedaço de pão de um sem-abrigo que por momentos virou costas ao seu “jantar”. Mas, mais rápido do que Carica, o sem-abrigo apanha-o e ameaça-o. Carica tenta explicar atabalhoadamente que anda à procura de um pote de ouro, de que dará metade ao sem-abrigo se ele o deixar ir embora. Convencido de que Carica precisa mais do pão do que ele próprio, o sem-abrigo solta-o com um sorriso.Mais tarde nessa noite, Carica continua perdido, com frio e ainda com fome. Um carro pára perto de si e um Homem de Chapéu atrai-o oferecendo-lhe um chocolate. Carica não resiste e aproxima-se do carro, para dentro do qual é puxado pelo próprio Homem de Bigode, que está acompanhado por um zarolho ao volante. Levam Carica para um velho armazém onde o atam a uma cadeira com um só braço, que lhe traz à memória o Avô e a cantilena que este lhe costumava entoar. Adormece embalado por esta. Acorda sobressaltado com a discussão entre os seus dois raptores sobre o destino que lhe darão. Carica apercebe-se de que as costas da cadeira estão separadas do assento e tenta fugir com elas atadas às suas, mas é apanhado. A vontade dos raptores de se traírem um ao outro acaba no entanto por os trair a ambos, e Carica aproveita a luta em que se envolvem para escapar.Carica foge a sete pés e olha constantemente para trás. Ao passar por debaixo de uma ponte tropeça numas pernas estendidas e cai. Quando se volta, apercebe-seque se trata do sem-abrigo. Este oferece-lhe a sua cama feita de cartões velhos e jornais, Carica ainda hesita mas o cansaço é mais forte que o medo.
«- Puto, anda cá!
- Lá em casa também durmo no chão, num colchão velho!"
- Vá deita-te... Dorme puto.»
Mal a sua cabeça toca o chão, adormece profundamente.
O OUTRO LADO DO ARCO-ÍRIS
Ao nascer do dia Carica lança-se novamente à aventura. Chegado finalmente ao castelo onde mergulham as sete cores, Carica descobre o pote cheio de moedas de ouro. Alcançado o sonho, atira as moedas ao ar de contentamento. Mas o sol põe-se, o arco-íris desaparece e uma estranha tristeza invade Carica. É já noite escura quando Carica chega de novo à ponte debaixo da qual dormiu e onde se prepara para abandonar o pote de ouro.
«Ah, és tu, puto! - O que é isto?- É o Pote de Ouro! Encontrei-o!- Ah, tu agora já podes comprar todos os brinquedos que quiseres... não é?!- Não, é para ti!»O sem-abrigo pergunta-lhe porque deixa ele o pote todo ali se o que tinham combinado era metade para cada um. Carica responde: «- Parece que precisas mais dele do que eu».
Carica despede-se e arranca avidamente de regresso a casa, onde é recebido por um forte abraço do avô.
«- Tive tantas saudades tuas, avô!- Também nós, filho!»É a vez de Carica contar uma história ao seu avô. A história da sua viagem até ao outro lado do arco-íris.
A Estrela, de António Duarte foi uma outra curta metragem que passou hoje no programa Onda Curta da RTP 2.
«Roubaram-me a estrela!
A mais linda, a que eu mais gostava. As estrelas guiam-nos, fazem-nos sonhar. As estrelas fazem falta.
- E as estrelas têm dono?
- Devem ter: as pessoas.
- A estrela é de todos.
E vinha
a cada coisa procurava sempre o que não tinha
Procura sempre o nome verdadeiro das coisas.»
E por fim, o Pedro pode tocar na estrela mágica e todos a podem apreciar também...