quinta-feira, novembro 09, 2006

Aventuras de ontem...

Aventura I

Tinha um pressentimento.
Depois de ir almoçar com a Sílvia e a Liana ao Mexicano e de ter abalado com alguma antecedência, tomei uma estrada que não desejava e estava a ver que ia parar ao cu de Judas (Buraca e afins). Mas felizmente um cafezinho à beira da estrada com uma esplanada e pessoas que fizeram de GPS...
Cheguei à formação do Curry cabral pontualmente...

Aventura II
Depois de sair do Curry Cabral, numa curva de uma rotunda, não sei bem como, subi parte de um passeio com um desnivelamento, o que provocou alguns solavancos... Só horas mais tarde me apercebi da dimensão dos estragos, uma vez que saltou uma peça do carro. Cheguei à escola, ponto de encontro para a aventura III, e o Pedro lá me explicou quais poderiam ser as consequências do estado da jante (o carro está na oficina)...

Aventura III
Um grupo de estágio de medicina do 2º ano do 4º CLE resolveu fazer um jantar com a melhor professora da nossa escola. Foi pedido à Própria para escolher o sítio, tendo obviamente não aceitado essa proposta... e ficámos assim com a batata quente na mão. O Pedro fez então uma lista de alguns locais possíveis que obedecessem aos requisitos enumerados pela Professora:
- não ter de estacionar em cima de árvores
- um sítio em que pudéssemos estar à vontade
- e preferencialmente em Lisboa e não na periferia da cidade
Depois de muitas horas de conferenciação, o Pedro "obrigou-me" a ser eu a ter a última palavra. E a minha escolha da escolha já efectuada por ele foi a Catedral da Cerveja no estádio da Luz, sítio ao qual nenhum de nós ainda tinha ido.
Como era de prever, a nossa Professora não é benfiquista, mas sim Sportinguista (mesmo de alma), o que não foi impeditivo; pois também só tivémos conhecimento de tal facto quando nos encontrámos à hora marcada no sítio combinado. Fez-nos apenas um pedido: Não digam a ninguém que eu estive aqui! Foi pena ninguém se ter lembrado de levar a máquina fotográfica. O jantar foi muito engraçado e foi pena a Marisa, a Cristina, a Vera e a Gisa não poderem ter estado presentes. Encontrámo-nos ás 19h30 e há 1h ainda estávamos no restaurante... Depois tivémos mais uns quartos de hora na rua a prolongar a conversa...

Aventura IV
Chegar ao meu bairro há 1h30m, hora em que não haja ilusões: Não há estacionamento. Desesperada pela infinidade de voltas que já tinha dado ao Bairro, só me restou dirigir-me aos policias (que são meus vizinhos) e expor o meu caso. Aconteceu-me isto assim assim ao carro e não tenho mesmo lugar na rua...
Estes Polícias daqui já foram simpáticos por inúmeras vezes, mas ontem comprovaram-no mais uma vez:
- Um polícia foi ver o estado do meu carro e dar a sua opinião sobre o estrago
- O Chefe da Polícia autorizou-me a deixar o carro durante toda a noite no Parque da Polícia

"Paris, Je T’Aime"

Um amigo falou-me neste filme e fiquei deveras curiosa. Fazendo dele, as minhas palavras: Imperdível...
A cidade da luz ou a cidade como entidade viva reinventada por diversos cineastas: Christopher Doyle, Richard LaGravenese, Daniela Thomas (em parceria com Walter Salles), Gurinder Chadha, Vincenzo Natali, Bruno Podalydes, Oliver Schmitz, Nobuhiro Suwa, Tom Tykwer, Olivier Assayas, Irmãos Coen, Ethan e Joel Cohen, Isabel Coixet, Walter Salles, Alfonso Cuarón, Gérard Dépardieu, Alexander Payne ou Gus Van Sant, Alexander Payne, Sylvain Chomet, entre outros. «Todas as cidades do mundo são habitadas por pessoas de diferentes cidades do mundo. Quando ali chegam grupos de realizadores todos irão reencontrar o seu próprio caminho de reflexão desse mundo» (Chadha).
Cada realizador apresenta uma história num bairro da cidade, resultando desta forma uma composição de várias curtas-metragens correspondentes aos bairros ("arrondissements" ) da capital francesa. Um filme que se assemelha a um caleidoscópio de múltiplas visões da vida, do amor, da paixão ou (des)amores, sob a magia parasiense.

Concerto de Chico Buarque

«Para Chico as coisas são simples: canções e canções, que em última instância falam do povo, escritas com palavras de uma subtileza e humor raros. Depois há o timbre adocicado, aquela tristeza que bamboleia nos refrões»...







A imagem do Coliseu cheio. As canções do Chico, que só ele sabe cantar à sua maneira, a amior parte do "Carioca" mas também mais algumas escolhas transversais do seu passado, qua estão na memória de todos e que se entranharam de forma distinta em cada um de nós. As vozes familiares dos amigos a cantarem, a dançarem e a tocarem as palmas das suas mãos ao som do timbre e da voz de Chico...

6 de Novembro de 2006

segunda-feira, novembro 06, 2006

Espontâneas conversas ... entre Amigas... num dia especial



Fotografias de Bruno Amaral

(www.BrunoAmaral.com)

domingo, novembro 05, 2006

22

Novembro trouxe-me mais um aniversário.
Parece que foi ontem, que a Paula e o Pedro me depositaram sobre as mãos um guardanapo com dois números escritos: 20, que entretanto, descobri numa caixinnha cá em casa. Agora já são 20 + 2...

Adorei o dia, aquela expectativa antes do dia, os Amigos.
Obrigado pelos telefonemas, pelas mensagens, pelos Parabéns cantados (não em uníssono), pelas surpresas. Obrigado pelas dedicatórias. Obrigada pela presença de todos os Amigos. Obrigada pela vossa companhia em cada instante, até mesmo quando chovia torrencialmente. Obrigado pelos mimos todos, PAIS (os melhores pais). Por ser mesmo o que eu queria. Obrigada pela noite dentro. Obrigada por uma noite para comemorar.
PS:
À Mãe, um OBRIGADO do TAMANHO DE UM ABRAÇO APERTADO por todo o trabalho e por todos os mimos... só coisas boas...
Ao Pai mil desculpas, pelas horas de sono que não pode dormir nem descansar e obrigado...
Desculpa Fifi por te ter acordado quando vomitava; a culpa acho que foi da divisão que o Ricardo fez da tosta...
Ricardo desculpa as curvas, mas no fundo bem no fundo até que foi divertido. Só hoje é que o meu pai me contou a novidade: "Quem quer emoção, viaja com a João" - esta tinha-me escapado ;)
Sara e Janito desculpem todos os sustos...
Luísa, Isabel e Susana desculpem os meus desabafos... mas vocês são muito especiais
A Sue não tem direito a pedidos de desculpas...
Ao Pedro não peço mesmo desculpas...
(já não se respeita a colega de estágio, amiga e colega de trablho)...
À Irina, obrigado por ter vindo e ter aturado o people...
Gostei mesmo muito de ter feito anos convosco!!!

sexta-feira, novembro 03, 2006

Um dos melhores músicos, no panorama da música portuguesa


Ligação Directa é o mais recente álbum de Sérgio Godinho. Editado a 23 de Outubro de 2006, pôs termo a um hiato de 6 anos. O título ocorreu-lhe por uma razão muito prosaica enquanto se passeava numa garagem escura. Lembrei- -me dessa acepção da ligação directa para um carro sem chave. A partir daí estabeleceu-se uma metáfora leve em relação ao que é uma ligação directa com a vida, com as pessoas, com os amores, comigo mesmo (Sérgio Godinho)
Como o próprio compositor refere, este disco não tem uma só cor (...) São canções de vários teores. Existem as líricas, as satíricas e as festivas", prossegue, mencionando o mosaico sonoro que por ali se descortina sons eléctricos, acústicos ou de teor popular e os sons de cordas e sopros (in Jornal de Nótícias, por Cristiano Pereira).
Dentro do CD descobrimos canções sobre a vida. Não a vida confinada a uma dimensão específica. Nele há espaço para a absorção de tudo aquilo que conflui e se entrelaça nos diversos domínios da Vida.
Ligação Directa» é exímio na arte de retratar pedaços da sociedade portuguesa musicados por arranjos que trabalham sobretudo para a voz. (Davide Pinheiro)

Aqui, um pequenino excerto de uma música que se intitula "A Deusa do Amor":

« (...)

Talvez por que isto é que é isso
a que chamam lá longe, o amor
deste plano geral
não dava p'ra ver em redor
e assim visto em close-up
nem é grande quebra-cabeças

Nunca faças
por desvendar o mistério
há mistérios
que ninguém sabe porquê
e porquê
explicar a explicação?
Há segredos sagrados
pelo sim, pelo não

(...)»

quarta-feira, novembro 01, 2006

"Há vidas que duram três instantes"

Há vidas que duram um instante:
o nascimento.

Há vidas que duram dois instantes:
o nascimento e a morte.

Há vidas que duram três instantes:
o nascimento, a morte e uma flor.

Roberto Juarroz (in "Poesia Vertical", trad. de Arnaldo Saraiva, Campo das Letras)

Olhares...

«Recomeçar corajosamente
O tamanho do hospital e as dependências do estranho edifício
as suas janelas
estradas interiores
rios brancos
caudais de gentes
surdez
impressão de sons ocos (…) agudos
Gritos localizados
gritos como golpes de lâminas
abertos
grito
cortes de lâmina
sangue verdadeiro vermelho
murmúrios e cheiros ácidos a cortarem por dentro do nariz
passos de corrida surdos brancos e invisíveis
ópera de lágrimas
só lágrimas
esbrasear lágrimas
dor insuportável
barba
olhos amassados de todas as cores
a pequena loucura visitante
gritos nasais de pessoas de idades ímpares
noite
fim de dores e orações
morfina irmã de morfeu e do sono, enfermeiros (…) travessia do estreito em Gibraltar
Na sua cama um enfermeiro
de branco,
de farda
de luvas
o desconforto perceptível (…) de ser lavada por este
Uma manhã com alguma dificuldade submergiu
atingiu a superfície angustiada a superfície azul da água
respirar cavado e febril de náufrago
aquelas palavras de olhos fechados entre cuspir e uma súplica
dor lancinante
cair tranquilo no abismo de uma letargia»

A morte.
A morte despersonalizada.
Apenas e mais um doente que morreu.
O enfermeiro que canta enquanto retira um cateter e limpa o sangue digerido vomitado e limpa o sangue que escorre dos orifícios, ao redor do doente, já morto.
Os cortinados corridos. Do lado de lá dos cortinados, os outros doentes, no mesmo espaço onde tudo se desenrola à sua volta.
A múmia. O doente dentro de um saco de plástico, com dois papéis presos ao pé por um elástico. Uma colcha por cima do saco de plástico. O transporte da maca com o doente morto a passar junto de enfermeiros que comem a sua refeição, para uma sala vazia, onde se guarda algum equipamento e onde o cadáver permanecerá durante horas.
Um Dr. Médico que abre a porta e que se assoma, com um ar descontraído, a falar num tom de voz alto, proferindo uma qualquer piada, sem fazer a miníma ideia do que aconteceu e do que está a acontecer.

As pessoas significativas. A família que não sabe da morte do seu familiar.
A privacidade que não existiu.
Um momento de despedida que não aconteceu.
Uma pausa, para que um momento difícil fosse de respeito e de dignidade, que ninguém achou necessária.

A palidez de uma enfermeira e o seu ar constrangido.

A chegada dos familiares.
Choro. Dor.
Um interno que se dirige aos familiares.
O enfermeiro, que há instantes cantava, ao lado dos familiares e do interno.

Eu, ali no meio, onde nada me pareceu fazer sentido.

Uma forma de contar muitas histórias

A 4ª edição do Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa, Doclisboa, decorreu de 20 a 29 de Outubro, na Culturgest. Dos 100 documentários vi apenas dois. Gostei. E gostei ainda do ambiente "melting pot" que se sentia...

O Fim e o Princípio

Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão. Uma equipa de cinema e o realizador Eduardo Coutinho partem para o sertão da Paraíba à procura de assunto para um documentário. Sem pauta definida anteriormente nem pesquisa prévia, escolhendo pessoas aleatoriamentente, a equipa vai em busca de pessoas comuns, que tenham histórias para contar. Caso isso não acontecesse, o tema do documentário seria a busca destas pessoas.

No município de São João do Rio do Peixe, o filme descobre o sítio Araçás, uma comunidade rural onde vivem 86 famílias, a maioria ligada por laços de parentesco. Graças à mediação de uma jovem de Araçás, os moradores, na maioria idosos - contam a sua vida, marcada pelo catolicismo popular, pela hierarquia, pelo sentido de família e de honra - um mundo em vias de desaparecimento. Os moradores contam histórias, falam da vida, da esperança e da morte...

Onze Burros Caem no Estômago Vazio, Cantai cantigas, de Tiago Pereira

No planalto mirandês, Tiago Pereira encontrou histórias de burros e cantigas. "Uma espécie de surrealismo popular sobre como as pessoas vivem no norte de Portugal, a sua relação com burros e a forma como vivem com isso. São tão musicais que é possível manipular sem nunca perder a sua essência". Em "Cantai Cantigas" também estamos em Trás-os-Montes. Duas viagens, Verão e Inverno, à procura de pessoas e cantigas. Bruno, 8 anos, canta com as cassetes. Deolinda guarda as vacas e mostra-nos o cemitério da aldeia que "tem muito que ver". Ti Ana, noventa anos, canta cantigas ao lume...

Ficaram por ver muitos documentários, especialmente este: "Oxalá Cresçam Pitangas", de Kiluange e Ondjaki, um filme em Angola, sobre Luanda. Angola, trinta anos de Independência, três anos de paz. Luanda, cidade construída para 600 000 habitantes. Actualmente com quatro milhões. Cruzamento de várias realidades e gente de todas as províncias. Elo de ligação com o resto do mundo. A vida desta cidade, as pessoas. Que pessoas? Dez personagens que mostram formas diferentes de viver e interpretar a cidade...

A esperança de que este filme passe em circuito comercial...