sexta-feira, agosto 28, 2009

sequência

Tudo surge num compasso marcado, sistemático, vibrante, tu vais e vens, o movimento e a pausa, o teu corpo, a tua falta. Como os bandos, o meu corpo voa em círculos dispersos numa cama onde não encontra o teu, todos os cigarros são de espera surda, todas as estradas percorridas com o mesmo filme mudo. Partes e sem tom fica a casa, mas encontro o teu som em sonhos que vais povoando constantemente, assim as noites, as horas podem existir sem me pesarem. Os dias, esses tenho-os incompletos na escala do nosso ritmo, não estás e quebra-se assim toda a sequência.

texto publicado na revista Pormenores e Tu cá, Tu lá

Arriscar os dias

Foi isto que hoje o dia me fez sentir!Hoje foi diferente do habitual. Houve coelho à caçador, ritmos africanos, stand-up, hora do bolo, risos, gargalhadas, chacota, lágrimas, relações humanas a crescerem e a ligarem-nos, dar e receber na rotina do dia, de reparar no Outro, de pedir dinheiro emprestado e de emprestar metade do dinheiro que me fora emprestado, de pedir e emprestar sapatos, de compras, de atitudes e palavras a não encaixarem no previsível...
E foi ainda dia de matar saudades de quem foi muito especial num momento da minha vida e continua a ser por ter sido aquilo que foi num passado. É tão fácil reconhecer isso, quando o Vi, num beijo, num abraço, na forma de me ver... Também escutei o timbre da tua voz do outro lado da linha e o que me disseste, e o que não entendi por causa do vento...

sábado, agosto 22, 2009

Partes soltas

Uma promessa. Um não esquecimento. Um telefonema. A tua voz efusiva e alegre, a parecer-me feliz. Um desejo...

sexta-feira, agosto 21, 2009

Dias de praia





















Pelo caminho



Regresso






sexta-feira, agosto 14, 2009

Ouvir a tua voz a saber a sono foi quase sentir-Te.

segunda-feira, agosto 10, 2009

O anúncio da Compal em que o Tiago entra...

«"Não faço a mínima ideia!” respondi eu; e tentei descobrir quais as razões que me levavam a sentir tanta satisfação em semear a dúvida no espírito das pessoas. Para mim, pelo menos, não existia sombra de dúvida; o caso era claríssimo: os meus sentimentos também tinham o seu gaguejar! Havia sempre uma diferença temporal entre o facto e eles.
Consequentemente, havia (...) a minha tristeza, nitidamente separados, isolados, sem a mínima interferência. O mais pequeno desvio, o mais leve atraso e, infalivelmente, o facto e a reacção afectiva seriam separados, o que em mim é provavelmente um estado fundamental.
O desgosto que sinto, quando existe desgosto, cai-me em cima sem dizer “água vai!” e sem razão; é totalmente independente de um acontecimento ou de qualquer causa.»

O templo Dourado
Yukio Mishima

Trailer #1 - "A Cry 4 Love"

Letras

"Era uma vez um menino ou uma menina, quem lê é que escolhe, que ia por uma floresta ou uma rua ou um deserto com céus mais que gigantes. Era noite fria lá nesse lugar. Uma noite fria e bonita mas também meio triste, porque tudo é triste se estamos tristes, e as coisas bonitas então são as mais tristes, e o menino ou menina não estava contente. Ia sozinho ou sozinha sem companhia ou coragem para ir assim por ali, na floresta ou na rua ou no deserto dos céus. A noite caindo, um silêncio bem mau, e ele ou ela a tremer. O menino ou menina é mesmo igual a nós. Estrangeiro ou estrangeira, pequeno ou pequena, muito fraco ou fraca e sem nada saber. Vai agora na estrada toda feita de escuro ou chuva ou vento ou talvez tempestades. Ao longe, uma luz. E o menino ou menina sofre um medo terrível. E de repente essa luz afinal é uma casa e de repente essa casa afinal é a nossa e de repente o medo é afinal alegria. Uma alegria-alegria ou qual outra palavra? Quem lê é que escolhe, quem lê é que escolhe."

Jacinto Lucas Pires (n. 1974)

sexta-feira, agosto 07, 2009

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela.

António Cícero

quinta-feira, agosto 06, 2009

Imprecisões

O tempo leva-nos para um destino, até lá: infinitos sinais. O tempo guarda coisas que se apertam. O tempo traz de volta coisas de outro tempo. Ás vezes parece existir uma inevitabilidade de acontecimentos que num tempo presente somam passos em avanços e recuos e saltos e pulos, naquilo que somos agora, hoje!

Não me apetece acenar-te porque o tempo é feito de constelações e é vago e tudo é remoto quando o imediato perde história e nome e ainda se perdem coisas à vista. E é o distante ou o des(instante), a acontecer...

terça-feira, agosto 04, 2009


Há uma cidade. Há o tempo. Há um recanto em que ficamos. Há instantes luminosos. Há uma vontade que cresce. Há um sorriso. Há uma companhia. Há um cinema que descobrimos. Há um sentir que é um tic-tac. Há um minuto enleado em sintonia. Há um pensamento…