"Je suis le temps"
O tempo passado é a nossa história. Entro neste primeiro dia do ano naquela casa solarenga amarela, que se estreita num corredor triste e escuro, coberto de memórias, que desembocam no seu quarto. Ali está ela! Aquela senhora, de quem gravo o rosto, o sorriso e a amargura espelhada nas suas rugas. Não imaginava como passava o tempo presente. Hoje sei-o, pois pude testemunhá-lo com os meus próprios olhos. Hoje sinto-me mais capaz de aceitar as suas escolhas e, assumi-las como uma forma de liberdade.
O tempo parece ter sempre muitos contornos, como se um grande círculo o desenhasse em espirais, podendo ser intersectado num sem fim de linhas invisíveis que o preenchem, em diferentes contextos e em diferentes momentos.
Por vezes sinto que o tempo nos aprisiona, às rotinas, aos dias, aquilo que somos. Outras vezes, tenho a certeza que o tempo nos liberta, das mágoas, de nós mesmos e das nossas circunstâncias e nos re-conecta a uma vida mais feliz.
Há questões para as quais não encontro resposta. Resta-me, talvez, esperar que o tempo me traga algumas dessas clarividências, vivendo o tempo presente sem me distanciar muito de mim mesma e daqueles de quem gosto!
