Dói...dói...trim...trim...
Quase no fim da noite, a luz vinha na nossa direcção, ofuscando a vista.
(...)
Encontrava-me para os lados de Queluz de Baixo e como tal resolvi ser um pouco descarada e pedir boleia até Lisboa, mas sem sorte porque os caminhos não eram comuns. Um desconhecido que ouvia a conversa, por acaso, meteu o bedelho e ofereceu-me boleia, a qual aceitei de imediato. Nem sequer sabia o nome da pessoa em questão, até lho perguntar. Indiquei-lhe o sitio ao pé do qual me podia deixar e a viagem foi rápida.
(...)
Entretanto, lembrei-me de repente, que em vez de ir para casa tinha o carro no hospital e que até podia ficar por ali. Pedi-lhe que me deixasse mesmo onde nos encontrávamos enquanto o semáforo estava vermelho, o qual rapidamente passou a verde. Agradeci e saí do carro apressadamente. Senti o dedo preso e uma ligeira dor. As coisas escorregavam-me das mãos. Um último aceno de despedida e um grito a dizer que tinha aberto o vidro de trás do carro. Parei para não cair tudo ao chão. Ajeitei o impermeável debaixo do braço, coloquei a mala ao ombro e passei a pasta para a outra mão, enquanto segurava os posters. De repente uma dor intensa fez-me olhar na direcção da mão: a unha do dedo totalmente levantada prestes a partir, um rasgão no dedo e sangue encravado lá debaixo. Segui rumo ao hospital, a pensar se ia para casa, ou se ia ás urgências. Imediatamente lembrei-me da dor que ia sentir ao tocarem-me ali e depois pensei na Joana, quando cortou o dedo e a suturaram a sangue frio. De imediato, a solução: urgência fora de questão. Optei por me dirigir até ao meu serviço, precisava da opinião de um Enfermeiro de confiança, não fazendo a minima ideia de quem estava de turno da tarde. Assim que cheguei à sala de trabalho vi a Enf. M, que estranhou ver-me ali, expondo logo o meu caso.
- Acabei de me entalar num carro. Não sei bem o que faço a isto... Acha que vá à urgência???
Observou com atenção.
Agora a unha vai-me cair?
- Pois vai, mas se fores às urgências e eles mexerem aí, isso vai-te doer.
- Pois...
- Achas que fracturaste o dedo?
- Não, acho que não.
- Mete gelo e se isso começar a inchar vem à urgência...
(...)
A Paula mandava-me uma mensagem para lhe responder rápido, enquanto eu estava nestas andanças.
(...)
De caminho do hospital para casa, a atravessar a rua, a Joana ...
(...)
Energias?!

2 Comments:
olha tu és doida ñ és?Bem me parecia...o k me assustou ñ foi o dedo mas o facto de pedires boleia em Lisboa tal como pediste nos Açores, k na altura ja achei uma loucura...
Mónica
O que é isso?! Não sou doida nem se tratou de nenhuma loucura. Não conhecia de facto a pessoa em questão, mas era conhecida de uma pessoa nossa conhecida e para além do mais é enfermeiro e portanto pareceu-me ser de total confiança para uma boleia.
Nos Açores foi diferente...o risco foi mais desmedido ;)
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