segunda-feira, maio 19, 2008

Sobre o Meu Pai

Mobilizei a minha Mãe, para juntas, hoje, vermos o programa "Depois do adeus último" na RTP.
O meu Pai chegara a casa já transcorrida a primeira parte do mesmo. Informei-o da temática do mesmo, que achou pouco interessante.
Pedi-lhe que ficasse e ficou por um bocadinho (maior do que aquele que de certo lhe apetecia).

O Meu Pai, sendo o melhor Pai e o Pai que eu queria mesmo que fosse meu Pai, tem aversão (no sentido de assumir um comportamento de evitamento) no que toca a doenças, hospitais e consequentemente visitas a pessoas que por motivo de doença estejam internadas, rituais de morte (velatórios, funerais)...

Estávamos então os três na sala a ver o programa, quando a minha mãe se lembra de lhe aventar a pergunta:

(Mãe) - Quando morreres queres ser cremado ou enterrado?
(Pai) - É-me indiferente! - respondeu prontamente, sem grande hesitação
(Eu) - Mas é te indiferente como?
(Pai) - Então se um gajo já não tem solução para evitar a morte, já nada interessa... não tendo escolha...
(Eu) - Não te pode ser totalmente indiferente!
(Pai) - Eu acho que começo a sofrer um bocado de claustrofobia. Acho que já me faz confusão ter de dormir debaixo de uma tenda de campismo... quanto mais ficar ali encaixotado, assim! Quero ser cremado. Pelo menos as cinzas ficam por aí a voar...
E ao preço a que estão os condomínios e os apartamentos a pessoa está ali a ocupar espaço, mais de um metro e meio por pessoa. A gente está ali ainda a poluir os lençóis friáticos...
(Eu) - Gargalhada incontrolável transmissível: mãe e pai a rirem também!