domingo, abril 06, 2008

A Escolha do Humano

«Bubulina mostrava-se indiferente e apenas aceitava os carinhos de um humano que se instalava no terraço diante de uma máquina de escrever.
Era um humano esquisito, que ás vezes se ria depois de ler o que acabava de escrever, e outras vezes amachucava as folhas sem as ler. O seu terraço estava sempre envolvido numa música suave e melancólica que adormecia Bubulina e provocava fundos suspiros nos gatos que por ali passavam.
- O humano da Bubulina? Porquê ele? - quis saber Colonello.
- Não sei. Esse humano inspira-me confiança - reconheceu Zorbas. - Ouvi-o ler o que escreve. São palavras belas que alegram ou entristecem, mas que produzem sempre prazer e suscitam o desejo de continuar a ouvir.
(...)
- E o que te leva a pensar que esse humano sabe voar? - quis saber Secretário.
- Talvez não saiba voar com asas de pássaro, mas ao ouvi-lo sempre pensei que voa com as palavras - respondeu Zorbas.

Que só voa quem se atreve a fazê-lo - miou Zorbas.»


(in História de uma Gaivota
e do Gato
que a ensinou a voar,
Luis Sepúlveda)

5 Comments:

At 8/4/08 19:08, Blogger Bela Isa said...

Um dos livros mais bonitos que já li :)

Só voa mesmo, quem se atreve a fazê-lo...

Beijinhos!

 
At 12/4/08 10:16, Blogger hfrv said...

Chegam rumores a Sto Andre que a menina mudou de visual! =D ja nao se informa o padrinho de tal acontecimento? lol bjinhos*

 
At 12/4/08 16:48, Blogger mjoão said...

Bela isa

Um livro que me fora oferecido no Natal por um colega, sendo um dos seus livros preferidos...
Gostei muito de ler as palvras que um homem colocou na boca de um gato que quer proteger uma gaivota e ensiná-la a voar. Um gato que nunca quis fazer de uma gaivota um gato porque sabia que ela era uma gaivota, porque queria que fosse gaivota, porque aprendeu a apreciar, a respeitar e a gostar de um ser diferente.
Uma gaivota tem de seguir o seu destino de gaivota e aprender a voar e só quando conseguir voar será feliz e só aí os sentimentos serão mais intensos.
Um história muito bonita mesmo que nos fala de uma relação entre seres totalmente diferentes.

Conheci uma pessoa que a propósito deste livro comentou o seguinte: «Esta história lembrou-me a minha verdade. A nossa história pessoal pode ser dolorosa , mas não é a nossa destruição. Se tivermos sorte é a nossa fundação. Apenas temos de trabalhar no meio da confusão até encontrarmos o que importa. Por vezes, se temos a vista e o castelo certos, podemos construir as fundações da nossa nova história.
Algumas vezes, a atitude certa faz-nos sentir tudo excepto bem. Podemos sentir-nos receosos, desconfortáveis. Porque mesmo quando tomamos as decisões certas e assumimos a nossa verdade, ainda acontecem coisas más.
Por mais que queiramos, não existem garantias. Resta-nos ter fé de que se agirmos com o coração aquilo que fazemos, um dia, far-nos-á sentir bem. Mesmo quando o que somos e o que fazemos pareça ter algo de errado.
E é por isso que eu continuo a voar». (Pedro Serranito, 17/01/08)

12/4/08 16:46

 
At 12/4/08 16:52, Blogger mjoão said...

Helder
Mais um mote de tertulia, lol! Beijinhos...
Está tudo bem? Espero que sim! Quando é que vamos aquele sítio que estava fechado da outra vez e que ainda não chegámos a ir juntos?!

 
At 14/4/08 12:02, Blogger hfrv said...

Vamos........ quinta-feira parece te bem? =)

Eu n faço tertulias.. quero é ver esse "visual refresh" =)

Bjinhos

 

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